Wednesday, March 19, 2008

Israel e Vizinhos

André Moshe Pereira
Presidente Comunidade Judia Or Ahayim
Porto



O papel de Israel no contexto do Médio Oriente é vital.
Por ocasião do quinto aniversário da Presença no Iraque das forças multinacionais e especialmente das americanas e britânicas tem-se questionado o que originaria a má informação ou desinformação da detenção de armas de destruição maciça por parte dos iraquianos.

Tal não foi efectivamente demonstrado.

No entanto muitas coisas têm acarretado em termos de opinião pública a presença das forças estratégicas e de segurança norte-americanas no Iraque. Especialmente se o contexto duma violenta tirania for pensada como o ponto de partida para a reflexão sobre a mudança estrutural na esfera pública iraquiana.

Formação, revitalização dos sectores privados, queda e extermínio da ditadura, julgamento dos actos genocidários da comandita saddamista e retempero de forças no tabuleiro de forças sunitas e xiitas no interior da sociedade iraquiana.
A posição europeia especialmente a Mitteleurope é em geral profundamente avessa às iniciativas geoestratégicas do eixo atlântico. Compreendem-se genética e historicamente esses anticorpos.
No entanto, a sociedade encontra-se mais violenta mas mais consciente e determinada do caminho a seguir. Há efectivamente uma contra-identidade entre o Iraque e o Irão maioritariamente xiita embora do ponto de vista da política externa a lógica pan-arabista seja especiosamente anti-israelita. E é efectivamente este ponto que nos preocupa.
Abraham Joshua Heschel escreveu que ser ou não ser não era somente a questão mas como ser e como não ser é que é a questão essencial.
A questão de ser ou não ser é essencial e desse ponto de vista meramente ôntico revela-se um interesse político não despiciendo. Israel não tem a possibilidade de deixar correr para lá das vertentes de críticas de alguns países do Ocidente ou dos países árabes em particular, o conceito de denegação da sua existência. Mas mais ainda: não somente o mero conceito mas a possibilidade de submergirem a terra de Israel numa Guerra NBQ. Por isso tem o direito de tutelar face ao direito internacional e à sua mesma determinação e total soberania a legítima autodefesa.

Outra questão que se levanta é a questão da dúbia aventura de George W. Bush no Iraque. Cremos que a intenção subjacente a esta crítica revela dos oponentes, esp. dos Democratas, do presidente americano em gerir a sua força interna e em definir outro enquadramento da política americana global até certo ponto “desligada” dos interesses estratégicos e do acesso a matérias-primas vitais ao Ocidente no ponto de vista da economia. Será assim? A questão posterior é a quem aproveitaria esse laxismo.
Se esta penetração e permanência dos EUA no Iraque vieram garantir um novo médio Oriente com uma ordem mais estável, não é líquido, mas todavia não podemos aceitar que a ordem do regime medieval sunita anterior fosse melhor.

Israel não pode ter acções débeis na consumação da sua defesa independentemente do desenrolar da questão da presença aliada no Iraque. Temos a prova do que aconteceu no falhanço das IDF na Campanha do Líbano e como isso beneficiou o crescimento das forças inimigas de Israel sustentadas pela Síria e pelo Irão: o Hezbollah em termos de influência e poder. A guerra e as consequências inesperadas foram extra exacerbadas pela resposta americana ou pela falta dela.

Tem que haver, pensamos, uma advocacia pela tolerância religiosa, pela implantação de regimes democráticos no Médio Oriente segundo regras funcionais e adaptativas e pela preservação de custos humanos na implementação duma ordem pacífica e de coexistência e reconhecimento mútuo como as teses desenvolvidas historicamente por Louis Brandeis, e os Rabinos Abba Hillel Silver e Stephen Wise a respeito do fundamento cultural histórico judaico e do mesmo Ocidente na região: Israel. E isso impõe a preservação da herança cultural judaica e das outras que cremos os EUA não tem dissolvido mas assegurado ao contrário do que fez Saddam com os Curdos e xiitas e outras minorias e dissidências políticas.