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Friday, July 18, 2008

Adoradores dos assassinos de crianças

17 Julho 2008 - 00h30
Opinião


Aaron Ram
Embaixador de Israel em Portugal

Durante dois anos e quatro dias, as famílias dos soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser agonizaram por notícias.

Foi encontrado sangue onde o Hezbol-lah os raptara a 12 de Julho, mas mantinha-se a incerteza de lhes ter sido prestado qualquer auxílio médico. ‘Tomar conta’ dos que arriscam a vida por nós é um valor tão arreigado em Israel que nos dispomos a negociar em troca de um sinal de vida. Pagámos um preço elevado por estes nossos filhos, ontem regressados mortos.

Israel libertou quatro membros do Hezbollah e o ‘herói’ Samir Kuntar, um terrorista desprezível que em 1979 arrombou a casa de Danny Haran, fazendo-o e à sua filha de quatro anos, Anat, reféns. Antes de lhe esmagar a cabeça, Kuntar obrigou a criança a vê-lo matar o pai à queima-roupa. Em 29 anos de prisão, este assassino de crianças aprendeu hebraico, casou-se e licenciou-se. O Hezbollah recebe ainda os corpos dos mortos na II guerra do Líbano e em ataques infiltrados. Entre estes, o de Dalal al-Maghrabi, autora do massacre de Coastal Road que vitimou 37 israelitas.

O Hezbollah, organização terrorista patrocinada pelo Irão, continuará obcecado em destruir Israel, desestabilizar o Líbano e idolatrar assassinos. Que não restem dúvidas: se Israel tem como imperativo moral trazer os seus soldados de volta, rejeita qualquer tentativa de legitimar o Hezbollah.

A comunidade internacional tem de reconhecer o perigo que a organização e os seus parceiros representam para a estabilidade na região e apoiar os que buscam a Paz através do diálogo e do compromisso.

Postagem: Andre Moshe Pereira
Pres. Or Ahayim

Friday, January 18, 2008

O que Israel significa para mim

Aaron Ram

Embaixador de Israel
em Portugal

David Ben Gurion, o primeiro Primeiro Ministro de Israel disse uma vez, “Em Israel, ser realista significa acreditar em milagres”. Tal era tão verdade em 1948 como o é em 2008.
Ao longo dos últimos sessenta anos, a minha vida tem-se desenrolado em paralelo com a vida do Estado de Israel. Fomos jovens e envelhecemos juntos.
Israel, apesar dos vários obstáculos que tem enfrentado, desenvolveu-se e tornou-se um Estado moderno e vibrante. Muitos aspectos da sua sociedade foram mudando à medida que o país se desenvolveu e prosperou. De 600.000 habitantes em 1948, Israel conta agora com uma população que ultrapassa os sete milhões. Desenvolvemos uma agricultura rica e florescente num território em que três terços são deserto. Num país em que escasseia a água, os nossos campos são irrigados por inovadores sistemas de rega desenvolvidos por nós. Construímos novas e modernas cidades em harmonia com antigos locais biblicos. Inventámos novas palavras para uma língua antiga. Fizemos muito em sessenta anos.
Israel é o país de que me orgulho em chamar meu e que nunca tomarei por garantido.
Israel para mim são sítios, sons e os cheiros da minha infância. Um bairro de Jerusalém cheio de imigrantes vindos de vários países, Polónia, Marrocos, Rússia, Iraque; uma enorme variedade de línguas, sabores e costumes, dos quais, nós,os filhos, tornar-se-iam os novos israelitas. Um “Sabra” é um Judeu nascido em Israel. Sabra é também o fruto do cacto, que pica por fora mas é doce por dentro. Esta é uma imagem que descreve bem o nosso povo. Somos uma sociedade informal e temos a certeza que somos capazes de governar o país melhor do que aqueles que foram eleitos para tal.
Israel é um país de contradições. Somos líderes mundiais em agricultura, high-tech e medicina. Temos universidades e centros de investigação. Temos vencedores de prémios Nobel e até vencedores do Festival da Eurovisão. Temos tempo para ir ao teatro, ler livros e ir a jogos de futebol. Toda esta vida plena existe enquanto continuamos a lutar pelo direito de existir. Israel é um país cujo direito de existir continua a ser abertamente desafiado e posto em causa por países como o Irão. Nenhuma outra Nação soberana tem de conviver com esta ameaça quase diariamente. Mas nós sim. Poderíamos ter-nos tornado uma sociedade amarga e militarizada, mas não o fizemos.
O facto de termos vidas normais, de nos distinguirmos em vários campos e de sabermos conviver e integrar os problemas na nossa sociedade e não deixarmos que esses assumam o controlo da mesma - é para mim um milagre da vida israelita.
Israel para mim é a Terra da Bíblia.
O Antigo Testamento é sagrado quer para Cristãos quer para Judeus mas para mim é muito mais do que um mero relato de histórias sagradas. Quando me desloco pelas ruas de Jerusalém, sei que foi exactamente por aí que passou o Rei David e posso ainda tocar no que resta de uma das paredes do Templo construído pelo Rei Salomão. Quando abro a minha boca para falar, estou a usar a mesma língua da Bíblia. Os meus filhos ouvem música rock cantada na mesma língua falada por Abraão e Moisés.
A língua hebraica esteve adormecida durante dois mil anos e era usada apenas como linguagem de oração. Hoje é uma língua viva, o que eu considero outro milagre da nossa realidade.
Israel para mim é a Primavera – altura do ano em que se assinalam três datas muito importantes: O Dia da Memória do Holocausto, o Dia da Memória dos Soldados e o Dia da Independência. Estas três datas são próximas e estão cravadas no nosso destino enquanto Nação. O Holocausto tornou claro ao mundo que os Judeus precisavam de uma Pátria. Os meus avós que viviam na Polónia e não tinham uma pátria, pagaram um preço elevado por isso mesmo. Para que nunca mais se repitam os horrores do passado, temos de continuar a lutar uma e outra vez pelo direito de viver nesta Terra. As muitas guerras e os inúmeros ataques terroristas ocorridos nestes sessenta anos são demasiado. Pagamos um elevado preço por termos de lutar pelo nosso direito de existir. Muito da nossa existência está nas mãos do nosso exército que tem a designação de Forças de Defesa de Israel. O seu objectivo é defender-nos.
Israel é um país multicultural, um colorido caleidoscópio de gente. O meu Israel é um país Judaico e democrático, com uma sociedade aberta e plural em que cada duas pessoas têm três opiniões diferentes e todas são livremente expressas. Desde 1948, Israel absorveu Judeus dos quatro cantos do mundo. Muitos vieram em busca de refúgio, outros porque viram neste país o seu destino Judaico. Juntos construiram um Estado democrático com eleições livres, imprensa livre liberdade de opinião e de crença.
Para mim, Israel é para além e acima de tudo, a minha Casa.
Aaron Ram
Embaixador do Estado de Israel


( artigo publicado no Semanário gratuito SEXTA, 18.01.2008 )

Tuesday, November 27, 2007

Annapolis tem potencial para mudar a actual dinâmica

Sr. Embaixador Aaron Ram, Israel

Público

Sessenta anos após as Nações Unidas terem decidido, sem sucesso, resolver o conflito israelo-árabe através da criação de duas pátrias para dois povos, este fracasso levou a décadas de sofrimento para ambos. No entanto, a justeza desta ideia e solução mantém-se válida. Este é, de facto, o melhor caminho para que Israelitas e Palestinianos alcancem a paz e a segurança mútuas. O objectivo da Conferência de Annapolis é exactamente reavivar o esforço de paz.

Em Annapolis, não são esperadas negociações de assuntos fulcrais nem de prazos, espera-se sim o restabelecimento do compromisso fundamental para alcançar uma solução pacífica. A conferência deverá ser seguida de uma negociação contínua acerca de todas as questões de fundo, com o objectivo de colocar um ponto final no sofrimento mútuo e construir uma nova era. Não é de mais lembrar a visão de "dois Estados para dois povos" - uma nova realidade israelo-palestiniana de acordo com a qual dois Estados-nações coexistirão, vivendo lado a lado em paz e segurança. Tal como Israel é a pátria do povo judeu, também a Palestina será a materialização das aspirações nacionais do povo palestiniano - onde quer que estejam.


A responsabilidade de resolver a questão israelo-palestiniana recai nas partes envolvidas, e os compromissos que deverão ser assumidos nessa negociação serão difíceis e desafiantes. Ao mesmo tempo, não deve ser ignorada a situação no terreno. Por esta razão, para que a implementação da solução de dois Estados seja efectivada, deverá primeiro ser cumprido o Roteiro, já aceite por ambas as partes. Na primeira fase deste documento, a Autoridade Palestiniana (AP) aceitou pôr fim a qualquer forma de terrorismo contra israelitas, onde quer que se encontrem. O mundo não precisa de outro Estado terrorista. Assim, os compromissos assumidos pela AP no contexto do Roteiro deverão ser implementados antes do estabelecimento de um Estado palestiniano - especialmente aqueles relacionados com segurança.

Israel, por seu lado, tem-se mostrado preparado para cumprir as suas obrigações no contexto do Roteiro, e tem implementado algumas medidas: para além de suspender a construção de colonatos e de remover alguns postos ilegais, Israel libertou quase 800 prisioneiros palestinianos envolvidos em terrorismo, amnistiou 170 terroristas da Fatah que renunciaram à violência, removeu 25 postos de controlo na Cisjordânia, transferiu para a AP 250 milhões de dólares provenientes da receita de impostos e integrou projectos internacionais que visam promover planos de desenvolvimento das infra- -estruturas palestinianas, assim como reactivou algumas comissões bilaterais previstas nos Acordos de Oslo. Todas estas medidas visam colmatar as actuais necessidades da AP.A reunião de Annapolis deverá ser secundada por um esforço internacional de proporcionar um ambiente de apoio a ambos para que cheguem a acordo. Por exemplo, a próxima Conferência Internacional de Dadores, em Dezembro, será a oportunidade para que esses Estados ajudem a AP a avançar neste processo. A comunidade internacional tem um papel importante a desempenhar ajudando a melhorar as condições económicas dos palestinianos e o funcionamento geral da AP. Tal é crucial para obter o apoio da população, que precisa de ver alguns resultados práticos das negociações mesmo antes de terminadas.
O papel dos Estados árabes e muçulmanos moderados é fundamental, especialmente no confronto aos extremistas, determinados a impedir qualquer sucesso. À medida que os progressos positivos forem surgindo, deverá ocorrer uma normalização das relações entre o Mundo Árabe e Israel. Com o apoio dos moderados da região, o diálogo israelo-palestiniano deverá gerar laços e uma cooperação reforçada em todo o Médio Oriente.


Enquanto que, para os judeus e árabes que pensam da mesma forma, Annapolis representa a esperança, Gaza representa um pesadelo. Actualmente, numa Gaza controlada pelo Hamas, a população palestiniana é sujeita a uma opressão religiosa tirânica; as minorias e os opositores políticos e ideológicos são agredidos e assassinados. Desde que o Hamas assumiu o controlo da Faixa de Gaza, em Junho último, mais de 350 mísseis e 500 morteiros foram disparados contra civis israelitas a partir daquele território, causando feridos, destruição e uma atmosfera de constante terror. Enquanto mantém o compromisso de promover a paz, Israel tem também a responsabilidade de defender os seus cidadãos de ataques terroristas. Infelizmente, os extremistas farão tudo ao seu alcance para tentarem pôr fim ao processo de paz.

A reunião de Annapolis tem potencial para levar as partes a retomar o processo e mudar a actual dinâmica do Médio Oriente. Israel espera que todas as partes envolvidas aproveitem esta oportunidade e façam os possíveis para abrir caminho para a paz. Embaixador de Israel